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E mais uma vez, ela sorriu. Teu sorriso encheu a sala, mas as lágrimas nos olhos, a dor de sua alma, ninguém realmente percebeu. Apenas eu, do outro canto do local, verifiquei as olheiras que denunciavam noites em claro, no meio de choros e preocupações. E me perguntei: como alguém pode viver denominando-se “feliz”, depois de tantas caídas e recaídas na caminhada da vida? Digo, com todos os seus problemas, suas fraquezas, decepções… Como ela podia sorrir, depois de todas as cicatrizes que carregava no peito? Estes eram apenas alguns dos grandes mistérios que a garota sorridente carregava em sua existência. E isto, apenas ela poderia responder. Mas preferia isentar-se de respostas. Apenas sorria. (c-older)

![]() Me entende, eu não quis, não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá tua mão, entende, por favor. Eu tenho medo, merda! Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto.
e cada amanhecer. |